Um Ponto
de Luz
Na madrugada escura há um ponto de luz diante da janela aberta. Da minha cama posso vê-lo bem. Um ponto de luz único, muito brilhante, grande, muito grande, maior que os demais astros vistos por nós a olho nu. Eu não sei se é uma estrela ou um planeta e qual nome tem. Meus parcos conhecimentos de astronomia, malmente me permitem identificar as Três Marias (O Cinturão de Orion) e o Cruzeiro do Sul. E que importa o nome? Seria tão só uma denominação inventada por alguém. Importa que é um ponto de luz, que solitariamente brilha, uma piscadela do universo, um aceno que me acorda às 4h da manhã, me põe, primeiramente a contemplar e depois a pensar, pensar, longamente pensar.
Se eu
fosse ainda suficientemente criança, diria que esse ponto de luz é a minha
estrela da boa sorte a me velar. É bom, muito bom crer nisso, pois que é confortante
ter uma estrela a nos garantir boa sorte, como o é também ser zelado, ainda que
por um pingo de luz no escuro da noite. Mas como não sou mais suficientemente
criança, lembro que não posso chamá-la de minha. Outros insones, devem agora
mesmo estar dizendo, minha estrela. Naturalmente, ela é de cada um que a vê e admira, é de
todos, todavia não é de ninguém, tal qual a Tereza da Praia, da dupla Dick
Farney e Lúcio Alves, música de Tom Jobim
e Billy Blanco. Assim cientifica que não é preciso ter para dispor, ou
dito de outra maneira, é possível ter sem possuir, o que representa um
aprendizado do desapego e da partilha. E lá vai o pontinho de luz passando
lições da arte de viver.
O
amanhecer se insinua no suave clarear do horizonte. E o ponto de luz, se torna
ainda mais brilhante E eis que já o imagino como um farol a alertar para os perigos
e a apontar o caminho seguro a seguir. Ter uma guiança em meio à acidentada escuridão
oceânica da vida é também muito confortante. Mas não basta ter o mapa, é
preciso saber como segui-lo. A luz ilumina a rota, mas não aplaca ventos nem
amansa ondas. O caminho está traçado, mas a travessia é que são elas. Ai! que esse belo pontinho de luz com sedução
e as esfíngicas piscadelas, conforta e inquieta ao
mesmo tempo.
Já
disse em crônicas, e volto a repetir, que nada como a contemplação do céu para
nos fazer ver a nossa real condição e dimensão no universo. Diante da imensa incógnita
e infinitude do espaço sideral, das galáxias e dos sistemas estelares, a ínfima
individualidade humana só não é nula, porque no cosmo, composto de sistemas e
subsistemas interdependentes, nada é insignificante. Isto pode servir de algum consolo,
mas deixa claro que não há lugar para
nenhuma presunção. Sem dúvida, esse
ponto de luz é mesmo confortante e inquietante, dubiamente dual, como quase tudo
na vida.
A alba
se alarga. As cores do amanhecer se espalham. Uma nuvem passa encobrindo o
ponto de luz e quando se vai, o clarão do novo dia já havia a apagado a noite,
assim como a noite havia apagado o dia anterior. A luz que revela, também oculta
no excesso de claridade. A escuridão que
esconde, também realça a luz na escassez de claridade. Piscou filosoficamente o
Ponto de Luz que havia na madrugada ao desaparecer no clarão do sol.
Não é meu estilo, mas achei interessante. obrigado.
ResponderExcluirQue lindo.Vc escreve com visão de poeta,mesmo num texto q não é poesia.Sempre digo que é o nosso olhar que conta,que revela,olhar que vê,pq há muitos olhares que não enxergam...Vou me inscrever! Grata,querida
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