segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018



De lua, piões, arraias etc



Aqui no canto escuro da varanda, acompanho o ascender da lua cheia. Enormemente bela, num céu sem nuvens e sem estrelas, vai trocando o ouro pela a prata enquanto sobe. O vento bem fresco, quase frio, salpica as pequeninas pétalas das flores da pitangueira sobre a grama do jardim e traz saudades recentes. Bastava estar assim sossegada olhando a lua, sentindo o vento, revivendo os doces instantes de ontem. Mas algo dito ou ouvido, ou imaginado põe a mente a girar mais que pião dos bons.
Ah! os piões, quem ainda brinca com eles?  Noutro dia vi, impressionada, um vídeo mostrando como os piões são feitos artesanalmente no torno. Creio que o marceneiro, já com certa idade, embora muito concentrado devia se divertia com o trabalho, talvez revivendo suas próprias brincadeiras, alguns torneios, onde exibia destreza fazendo o pião rodar sobre o pé, subir pela perna, pular para a palma da mão e outros malabarismos. Agora caprichava na feitura de piões para alegria de outras crianças. Tanta habilidade, tanto esmero para fazer um simples brinquedo! Só por isso valia nunca deixar a brincadeira acabar.
Mas no mundo virtual, cibernético ou da tecnologia da informação ou da inteligência artificial não há lugar para piões, nem petecas, patinete, carrinho de rolimã, perna-de-pau ou de latas, telefone sem fio, periquitos de papel, arraias. No Mundo de arranha-céus não há mais quintais para as brincadeiras de casinha com comidinhas de folhas ou cozinhados. No mundo de carros e violência não há ruas livres ou seguras para as brincadeiras de rodas, passa-anel, fita, melancia, demarré, picula, chicotinho queimado, macaco (ou amarelinha), bom vaqueiro, onde está a Margarida, boca-de-forno. No mundo das indústrias, superprodução e consumismo os brinquedos são automatizados, movidos a controle remoto, comprados todos prontos, inclusive as arraias, ou papagaio, ou pipa, como também são chamadas, que nos antigos agostos impunha um longo ritual em muitas casas.
Lembro muito bem deste ritual na minha casa, praticado pelo meu irmão e seus amigos. Primeiro ir ao armazém da esquina comprar flechas (não sei se de cana, milho ou algum capim) e no armarinho comprar papel de seda, e carretel de linha. Cortavam o papel em retângulo num tamanho padrão. O retângulo podia ser de uma só cor, mas o mais comum é que fosse formado por pedaços de cores diferentes em mil combinações criativas (caneca, pão de leite, xadrez etc), cada um se esmerando para fazer a mais bonita, a mais original. A flecha era aberta ao meio e cortadas em duas taliscas no tamanho do retângulo após formarem o X sobre o papel, onde eram coladas. Daí vinha o mais difícil, amarrar a linha nas quatro pontas das taliscas e fazer a chave perfeita, imprescindível para bom desempenho da arraia ao subir ao céu e, sobretudo nas manobras para cortar as arraias alheias. A maioria fazia chave de 4 e os mais hábeis  faziam a chave de 5 saindo do meio da arraia ou da interseção do X, para causar admiração. Outro detalhe muito importante era a rabada feita com bolinhas de algodão amarradas na linha, formando a cauda, que precisava ter peso e tamanho ideal. Quem não podia comprar algodão, usava tiras de saco de aniagem.  Por fim, vinha o preparo do cerol. Com pedras quebravam vidro até formar um pó, às vezes peneirado numa meia pra ficar mais fino, sendo então misturado à cola feita em casa mesmo com goma de engomar roupa, ou farinha de trigo, ou quem podia, goma arábica. Outro motivo de inveja era quando um passava sacudindo um frasco com goma arábica derretida para fazer a cola. O carretel de linha era quase todo desenrolado no quintal, estendidos da cerca ás árvores e pilastras da varanda para que pudessem ser encerados com o cerol, aplicado com as mãos, sem nenhuma proteção. Depois  de secar pegavam o carretel, enfiavam um pedacinho de madeira de uma extremidade a outra,  e com maestria reenrolavam a linha passando alternadamente por  baixo e por cima do pauzinho, dando o formato de oiti. Enfim, era correr atrás do vento. E eles não construíam apenas uma, não, mas várias. Tendo até  quem fabricasse para vender. Qual menino de hoje conhece e estaríamos dispostos a cumprir todo este processo? Basta ir ali comprar arraia, a maioria de plástico.
Quando ficamos mais velhos e fazemos alusões aos tempos idos, somos acusados de saudosistas, mas como evitar as referências ao passado, se nele está as nossas experiências e aprendizagens?  Não necessariamente tudo do passado é mal como nem tudo do presente é bom. Melhor se faria, e se viveria se de fato houvesse aprendizagem com as experiências próprias e dos outros, se verdadeiramente se extraísse lições da história para não repetir erros, evitar outros, corrigir rumos, aperfeiçoar o que merece e garantir o presente e o futuro melhor do que se tem.
E para concluir, nada mais oportuno do que uma sensata observação de E. F. Schumacher, autor do famoso livro O negócio é ser pequeno: “Máquinas cada vez maiores, acarretando cada vez maior concentração de poder econômico e praticando cada vez mais violência contra o ambiente, não representam progresso, são uma negação da sabedoria. A sabedoria requer uma nova orientação da ciência e da tecnologia em direção ao orgânico, ao gentil, ao não violento, ao elegante e ao belo”.




Itaparica, 04 de fevereiro 2018



De lua, piões, arraias etc

Aqui no canto escuro da varanda, acompanho o ascender da lua cheia. Enormemente bela, num céu sem nuvens e sem estrelas, vai trocando o ouro pela a prata enquanto sobe. O vento bem fresco, quase frio, salpica as pequeninas pétalas das flores da pitangueira sobre a grama do jardim e traz saudades recentes. Bastava estar assim sossegada olhando a lua, sentindo o vento, revivendo os doces instantes de ontem. Mas algo dito ou ouvido, ou imaginado põe a mente a girar mais que pião dos bons.
Ah! os piões, quem ainda brinca com eles?  Noutro dia vi, impressionada, um vídeo mostrando como os piões são feitos artesanalmente no torno. Creio que o marceneiro, já com certa idade, embora muito concentrado devia se divertia com o trabalho, talvez revivendo suas próprias brincadeiras, alguns torneios, onde exibia destreza fazendo o pião rodar sobre o pé, subir pela perna, pular para a palma da mão e outros malabarismos. Agora caprichava na feitura de piões para alegria de outras crianças. Tanta habilidade, tanto esmero para fazer um simples brinquedo! Só por isso valia nunca deixar a brincadeira acabar.
Mas no mundo virtual, cibernético ou da tecnologia da informação ou da inteligência artificial não há lugar para piões, nem petecas, patinete, carrinho de rolimã, perna-de-pau ou de latas, telefone sem fio, periquitos de papel, arraias. No Mundo de arranha-céus não há mais quintais para as brincadeiras de casinha com comidinhas de folhas ou cozinhados. No mundo de carros e violência não há ruas livres ou seguras para as brincadeiras de rodas, passa-anel, fita, melancia, demarré, picula, chicotinho queimado, macaco (ou amarelinha), bom vaqueiro, onde está a Margarida, boca-de-forno. No mundo das indústrias, superprodução e consumismo os brinquedos são automatizados, movidos a controle remoto, comprados todos prontos, inclusive as arraias, ou papagaio, ou pipa, como também são chamadas, que nos antigos agostos impunha um longo ritual em muitas casas.
Lembro muito bem deste ritual na minha casa, praticado pelo meu irmão e seus amigos. Primeiro ir ao armazém da esquina comprar flechas (não sei se de cana, milho ou algum capim) e no armarinho comprar papel de seda, e carretel de linha. Cortavam o papel em retângulo num tamanho padrão. O retângulo podia ser de uma só cor, mas o mais comum é que fosse formado por pedaços de cores diferentes em mil combinações criativas (caneca, pão de leite, xadrez etc), cada um se esmerando para fazer a mais bonita, a mais original. A flecha era aberta ao meio e cortadas em duas taliscas no tamanho do retângulo após formarem o X sobre o papel, onde eram coladas. Daí vinha o mais difícil, amarrar a linha nas quatro pontas das taliscas e fazer a chave perfeita, imprescindível para bom desempenho da arraia ao subir ao céu e, sobretudo nas manobras para cortar as arraias alheias. A maioria fazia chave de 4 e os mais hábeis  faziam a chave de 5 saindo do meio da arraia ou da interseção do X, para causar admiração. Outro detalhe muito importante era a rabada feita com bolinhas de algodão amarradas na linha, formando a cauda, que precisava ter peso e tamanho ideal. Quem não podia comprar algodão, usava tiras de saco de aniagem.  Por fim, vinha o preparo do cerol. Com pedras quebravam vidro até formar um pó, às vezes peneirado numa meia pra ficar mais fino, sendo então misturado à cola feita em casa mesmo com goma de engomar roupa, ou farinha de trigo, ou quem podia, goma arábica. Outro motivo de inveja era quando um passava sacudindo um frasco com goma arábica derretida para fazer a cola. O carretel de linha era quase todo desenrolado no quintal, estendidos da cerca á árvores e pilastras da varanda para que pudessem ser encerados com o cerol, aplicado com as mãos, sem nenhuma proteção. Depois  de secar pegavam o carretel, enfiavam um pedacinho de madeira de uma extremidade a outra,  e com maestria reenrolavam a linha passando alternadamente por  baixo e por cima do pauzinho, dando o formato de oiti. Enfim, era correr atrás do vento. E eles não construíam apenas uma, não, mas várias. Tendo até  quem fabricasse para vender. Qual menino de hoje conhece e estaríamos dispostos a cumprir todo este processo? Basta ir ali comprar arraia, a maioria de plástico.
Quando ficamos mais velhos e fazemos alusões aos tempos idos, somos acusados de saudosistas, mas como evitar as referências ao passado, se nele está as nossas experiências e aprendizagens?  Não necessariamente tudo do passado é mal como nem tudo do presente é bom. Melhor se faria, e se viveria se de fato houvesse aprendizagem com as experiências próprias e dos outros, se verdadeiramente se extraísse lições da história para não repetir erros, evitar outros, corrigir rumos, aperfeiçoar o que merece e garantir o presente e o futuro melhor do que se tem.
E para concluir, nada mais oportuno do que uma sensata observação de E. F. Schumacher, autor do famoso livro O negócio é ser pequeno: “Máquinas cada vez maiores, acarretando cada vez maior concentração de poder econômico e praticando cada vez mais violência contra o ambiente, não representam progresso, são uma negação da sabedoria. A sabedoria requer uma nova orientação da ciência e da tecnologia em direção ao orgânico, ao gentil, ao não violento, ao elegante e ao belo”.



Itaparica, 04 de fevereiro 2018

sábado, 27 de janeiro de 2018



Numa Íntima Noite


 

No primeiro dia do ano a primeira lua cheia, recém-saída do mar, soberana navega dourada num céu sem nuvens ou estrelas. Vai, ergue-se, levada pelo ventinho manso vindo da maré vazando, que também faz os coqueiros se espreguiçarem. E a noite, é noite de Lorca e se torna íntima. Íntima nos mistérios aos quais somos integrados, íntima nas saudades todas que afloram.
Sobre a escrivaninha há uma única rosa branca se abrindo no jarrinho estreito e nela a lembrança de alguém muito querido, agora distante nas montanhas. E como outrora, a imagem da rosa conduz ao mundo transcendental. E neste mundo há uma casinha encravada numa colina toda verde, com alpendre de madeira debruçado sobre plácida enseada lá embaixo. Há uma chuva de estrelas, sobre uma escura estradinha de barro entre matos numa noite de aniversário. Há uma rede numa varanda em meio aos aromas da coirana, eucalipto e almêcega.
Há banho nas escadinhas da comprida cascatinha, sob a espreita de gnomos.  Há também corpos abraçados à beira-mar fustigados pelo noturno forte vento marinho. Há lua cheia nascendo vermelha do mar em praia deserta ou vista da janela do ônibus acompanhando o casal em viagem e muitas e muitas luas em diversas situações de enlevo e êxtases. Lua que fazia quem dizia não cantar, cantar: “lua bonita se tu não fosses casada/ eu pegava uma escada/ ia lá no céu te beijar”... Há pombinha avisando que o fogo apagou no amanhecer de risos fáceis. Há o estidular de cigarras se despedindo do verão à hora do ângelus e Luiz Gonzaga fazendo fundo musical para o jantarzinho frugal numa casinha simplesinha, onde se tomava banho de balde com água tirada da cisterna ao cair da noite. E em tudo isso há carinhos e carinhos e carinhos e a felicidade dos corações cheios de amor.
Na intimidade desta noite em que um coração solitário, mas pleno de amorosas companhias, se deixa levar por uma rosa branca que se faz de estrela guia; nesta noite há tudo que é possível conceber. E a memória vai célere de um tempo a outro aleatoriamente, sem cronologia. Avança, atrasa-se, avança mais um pouco, torna a retroceder. Os diversos estratos da existência, que compõe o ser, são remexidos num balanço de vida. Da serenata na Lagoa do Abaeté se vai a chácara com vista para a montanha azul e de lá se passa ao Colégio onde era importante pensar e segue-se de canoa da Ponte do Funil até Barreira de Jacuruna para banhar-se no riacho Cardoso. E neste vaivém há violão e cantoria nas noites sem fins e cantada musical; há o jeep vermelho do belo moreno; há acampamentos na Ilha; há samba de roda e viagens aventurosas; há uns olhos cor das águas, que logo deixaram de alumbrar.
E no pulsar das lembranças no íntimo desta noite há o especial subúrbio com um enorme tamarindeiro no meio a pista por não terem coragem (ou a crueldade) de cortá-lo embora ainda não se falasse em ecologia. Neste subúrbio em seguida à Ave Maria o autofalante tocava valsas de Strauss e o Cine Plaza anunciava o início da sessão noturna de todos os dias com Moonlight Serenade executado pela orquestra de Gleen Miller, enchendo os ares de saudável nostalgia e a comover a romântica menina esperando beijo; Também ali, o jovem casal vizinho ouvia trechos da ópera O Guarani de Carlos Gomes, a amiga Celina gostava de Ray Connifs e nas festinhas da casa do petroleiro se dançava ao som dos Românticos de Cuba, Trio Irakitan e assemelhados. Então, no pulsar da noite íntima assomam questões dignas de dissertação ou tese: por que naqueles tempos os suburbanos ouviam Strauss em autofalantes e pessoas simples (o povo) se deliciavam com boleros, músicas eruditas e músicas orquestradas e agora só escutam excitantes ruidosos porcarias? O que houve com os brasileiros de lá para cá? Ou o que se fez com os jovens e com a cultura nacional?
A lua já passa do zênite e começa a descer rumo ao horizonte do outro lado. As questões começam, as recordações não se esgotam, mas o sono chega e é hora de se integrar ao outro reino dos sonhos.


Itaparica, 11 de janeiro de 2018


Itaparica sempre bela 

 

  

Certa feita escutei do Sr. Vital Santos Souza, dizer que o mar é sempre bonito, só que às vezes, excede. Sim, em qualquer condição de tempo e vento, em qualquer momento o mar é sempre belo. E assim também Itaparica, sempre bela, mas há estações em que excede, como agora em que acácias enchem as ruas de luminosos cachos de ouro, e a explosão vermelha dos flamboyants entre verdes intensos se projeta num céu sem nuvens de azul quase genciana. E ainda tem os rosas das árvores do inicio da Avenida Ruy Barbosa, uma das quais, num ato de rebeldia e originalidade, destoando das suas irmãs, este ano trocou a cor original pelo lilás.
Ah! e este cheiro do mar nesta manhã! Este cheiro, não de sargaços que não é tempo deles, mas da maré vazante, de maresia, menos que isso, de vapor, de relento do mar, ainda que diurno. Este cheiro sutil, que tangido pela brisa penetra em casa, faz se ser feliz sem se saber porque. É a felicidade das coisas simples da vida, que nesta denodada e mágica Itaparica ainda é tão evidente.
A esta hora as marisqueiras  já estão em atividades na Coroa do Limo, na Ilha do Medo, pros lados da Quinta Pitanga e Brasileiro. E elas agachadas ou sentadas na areia úmida cavam a cata de chumbinho também chamado de papa-fumo ou ainda de vôngole usado em moquecas, frigideira ou em pratos mais sofisticados. Algumas preambulam a procura de Maria Preta e outros mariscos de superfície pela longa, longa, longa extensão da coroa de areia deixada pelo mar recuado, onde é bom vagar despreocupadamente, experimentando sensação de liberdade plena, ao menos momentânea. Ali o silêncio e a placidez são quase absolutos e se interiorizam e torna um o flanar em meditação.
Além do mar estão os becos e ruelas; o casario antigo de estilos e idades variadas, que em certos trechos margeam estreitas ruas; as árvores, algumas seculares, esculturadas pelo vento e o tempo; as muitas praças; as históricas igrejas, uma datada de 1610 com seus telhados em tribeiras e alpendre lateral;  a capela nicho da santa heroína da guerra da independência; a fortaleza portuguesa erguida sobre as ruinas holandesas;  o solar dos reis que hospedou pai, filho e neto reais em períodos distintos; o hotel arcado de grandes salões dando para o mar, cujos alicerces soterram vestígios da primeira armação de baleia das Américas e abafa para sempe a pestilência da banha das baleias sendo convertidas em óleo; a casa do imortal escritor; a biblioteca com seus jardins internos; a Praça da Quitanda com seus enormes oitizeiros e castanheiras; o Largo do Campo Formoso bem fazendo jus ao nome; o mercado que já foi colégio; Fonte da Bica com sua curativa água rejuvenescedora; a singular e linda Casa de Cultura e Ética; o chocolate feito com o cacau do quintal; e as históricas eras todas permanecendo na psicosfera da cidade, perceptível em certas horas aos sensitivos, e são muitos os que se tornam sensitivos pelas fortes emanações e se deixam fascinar.   
Sim, Itaparica é sempre bela, mesmo quando as chuvas pintam tudo de cinza, e faz sumir a Ilha do Medo e as ruas deserta se tornam puro deleite dos antigos fantasmas ou simples amantes de sossego. É sempre bela, mesmo quando as cores do crepúsculo se suavizam entre as nuvens, mesmo quando é maltratada e se constroem casas modernosas em meio ao casario antigo ou esdrúxulos prédios na orla, ou se altera a feição da Praça da Bica, ou se substitui pedras portuguesas cor-de-rosa por piso pré-moldado, ou se mutilam e ceifam as árvores, ou quando o barulho agride ouvidos e a paz local e os plásticos maculam praia e a transparência das águas do mar. Itaparica ainda é sempre bela porque, apesar dos pesares, conserva a essência e esta essência há de tocar o coração e a alma dos seus filhos naturais e os adotivos, inflando-os do justo orgulho pela sua terra tão especial. Orgulho que se converterá em amor, amor que cuida, que preserva, que embeleza, que protege, que inspira ações adequadas para deter a tempo a eminente descaracterização, o desperdício de tão primoroso cenário, a perda do bem maior ou a morte da galinha de ovos de ouro.  






Itaparica, janeiro de 2018